Casa Grande

A Casa Grande em Ribeirão Grande, foi construída em taipa de sopapo por volta de 1780, fase final do ciclo do ouro na região.


A Casa Grande é uma construção de de taipa de sopapo é o único remanescente desse tipo, um símbolo de fundação do município de Ribeirão Grande.

A Casa destaca-se como exemplo de arquitetura colonial, cujas paredes eram feitas de vigas de madeira e argila socada com as mãos, forma típica de construção durante os séculos XVIII e XIX. A argila era um dos poucos materiais disponíveis e encontrado em todo lugar durante aquele tempo, e portanto era amplamente utilizada nas construções e cobertura das casas .

Construída por volta de 1780, no primeiro núcleo de povoado do município chamado Bairro 3 Marias, (atual bairro dos Cruzes) ao redor do Rio Ribeirão Grande. A razão do nome antigo era porque havia três moças com o nome de Maria que cuidavam de um caminho que por baixo da mata que chegava até ao bairro Ribeirão Grande. A povoação formada ao redor da Casa Grande era na sua maioria formada por membros da família Cruz, que acabou por nomear o bairro a que originou.

A Casa Grande, além de abrigar a família Cruz, caracterizava-se por ser uma “venda” ou posto de trocas, utilizado por tropeiros que se dirigiam ao sul do país ou pelos “caçadores” de ouro de aluvião das Muralhas de Pedras ou Encanados, dos Rios das Almas, das Conchas e do Ribeirão Velho, no século XVIII.

A construção da Casa Grande

Segundo José Ipólito da Cruz ou popularmente “Zé Tomás”, essa é a história que vem sendo contada desde os primeiros habitantes do bairro Ribeirão dos Cruzes. Certo dia dois escravos apareceram na comunidade perguntando pela comissão da primeira igreja do bairro. Um dos escravos atendia pelo nome de Davi, e queriam autorização da comissão da igreja para construir uma casa no bairro, não para morar mas para descarregar as cargas da tropa até terminar os serviços do patrão. Autorizados pela comissão da igreja, começaram os trabalhos. Cortaram muita madeira e tiraram cipó das matas que existiam ao redor do bairro. Levantaram a casa até a metade e queriam parar, mas trabalharam a tempo. Quando terminaram deram o nome da casa de Casa Grande. Porém um dia os escravos desobedeceram as ordens dos senhores. Foram acorrentados e apanharam num dos cômodos da Casa Tiveram de ficar uma noite inteira sem poder sentar nem deitar como castigo. O tempo foi passando e com a abolição da escravidão a Casa Grande ficou para a comunidade. 

A Casa passou por diferentes momentos desde sua construção até a atualidade. Em um primeiro momento, por volta de 1780 até o início do século XX (1900), a casa se manteve em propriedade e uso da família Cruz. De aí por diante, a casa foi doada à Igreja do bairro, chamada Igreja do Belenzinho, e passou a servir como ponto de encontro para celebrações religiosas, festividades e encontros comunitários. Assim ela serviu ao bairro por mais de 100 anos. A manutenção e conservação da casa acontecia anualmente, dias antes das celebrações da Festa a Sant’Anna, padroeira do bairro, e, portanto, enquanto a casa foi mantida pela comunidade, anualmente, realizavam-se um puxirão, e eles barreavam a casa e passavam o cal. No local também realizavam festas juninas, catequese e todas as ações da comunidade.
Durante esse período a Casa Grande também foi usada como local de reuniões para roda de causos, apresentação de grupos de dança, oficinas de identidade cultural e fortalecimento da cidadania, apresentação de músicas raízes, jantares com comidas típicas do município eventos e outras tradições culturais locais, além de atividade de organização social, trabalhos escolares.

Ao mesmo tempo, por ser uma construção bastante antiga, uma das poucas construções restantes do período histórico a que se associa, a casa se tornou alvo de interesses do poder público local, desde a época em que o bairro dos Cruzes ainda pertencia a Capão Bonito.

Em 1983 vereadores do município de Capão Bonito entraram com um pedido ao CONDEPHAAT para o tombamento da casa como Patrimônio Cultural. Esse pedido esteve em processo por trinta e três anos, até que em finais de 2016 a prefeitura de Ribeirão Grande foi notificada de que o pedido estava sendo julgado e o tombamento prestes a ser aceito pelo Condephaat, o que de fato ocorreu por unanimidade no final de 2018.

Nesses trinta e três anos, a casa ainda foi alvo de diferentes políticas públicas municipais, em especial a partir da emancipação de Ribeirão Grande como município. A partir do ano de 2005, a casa passou a servir como centro cultural administrado pela prefeitura municipal de Ribeirão Grande. Nesse período o poder público local assumiu a direção do imóvel, e realizou uma reforma retirando cômodos da casa que haviam sido anexados nos últimos 100 anos pela comunidade local para uso durante as celebrações.casa-grande-mapa-de-ribeirao-grande

casa-grande-mapa-de-ribeirao-grande
Nesse período a Casa Grande serviu como um museu comunitário, onde objetos de diferentes períodos históricos e de ocupações humanas nesse território ficavam expostas para fins pedagógicos e turísticos. Entretanto, as dificuldades de manutenção da casa pelo poder público e mudanças de gestão, acarretaram uma rápida depreciação da casa.

Diante da trajetória dessa construção, ícone da fundação de Ribeirão Grande, e importante representante do período colonial paulista, acredita-se na importância de restauração desse imóvel.
Acredita-se entretanto, que a restauração da casa deva atender às orientação do CONDEPHAAT, para que ela venha a ser reconhecida como patrimônio cultural paulista, porém não só, e mais importante que isso, que haja um reconhecimento à comunidade do bairro dos Cruzes, que cujos moradores foram os principais responsáveis por sua história, e sua existência no presente.casa-grande-mapa-de-ribeirao-grande
Dessa forma, acredita-se a conservação da Casa Grande siga novas orientações e concepções quanto ao valor o patrimônio cultural, não baseado apenas em sua originalidade, se não em seu uso, suas apropriações e simbolismos .

Assista ao vídeo abaixo “Importância da Casa Grande” para saber mais sobre esse patrimônio estadual.

Mais informações, entrar em contato com a Coordenadoria de Turismo de Ribeirão Grande.

Endereço: Rua Antônio Braziliense da Cruz, 22, Cruzes, Ribeirão Grande, SP

Abrir mapa


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.