História de Ribeirão Grande – SP

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O nome Ribeirão Grande coincide com o nome de muitos outros lugares, mas se você procura sobre o município do sudoeste paulista então está no lugar certo.

Início: Minas do Paranapanema

Mapa da Capitania de S. Paulo (1792)
Mapa da Capitania de S. Paulo (1792), acervo do Museu Paulista. Fonte: Wikipédia
Minas do Paranapanema
Ribeirão Grande, Capão Bonito, Guapiara e arredores formavam as terras das Minas do Paranapanema. Ao sul, na faixa horizontal que cobre Parque Estadual Intervales, Estação Ecológica Xitué, parte de Guapiara e Capão Bonito se localizava o Arraial Velho

O município de Ribeirão Grande tem formação recente (administrativamente), mas seu território foi cenário de diversos processos econômicos e está relacionado a história de seus municípios vizinhos.

Tudo começa com a busca pelo ouro. Principalmente junto com Capão Bonito e Guapiara, formavam uma região conhecida por Minas do Paranapanema. O tipo de ouro mais encontrado era o ouro em pó, o que levou a construção de canalizações (conhecidas atualmente por encanados) para lavagem de material e separação do ouro.

É muito difícil encontrar algum documento sobre esta época, nesta região. Acredita-se que desde fins do século XVII já se faiscavam* ouro de lavagem nessa região.

*Faisqueiras: jazidas encontradas no leito dos rios e córregos, essas jazidas são originárias da decomposição da rocha matriz (depósitos primários), sendo transportada pouco a pouco pela constante ação da água, trazendo o ouro para fora da rocha matriz e depositando no leito dos rios ou ribeirões, esses depósitos podiam ser facilmente encontrado na superfície do leito dos rios, com pouco trabalho era possível maior produção devido a sua abundância.

Os primeiros registros surgiram a partir da descoberta e comunicação oficial da existência das Minas do Paranapanema à Coroa Portuguesa. Isso  aconteceu em 21 de novembro de 1717:

“As minas do Paranapanema foram descobertas em 21 de novembro de 1717 por Miguel Barros e João Fernandes Távora, moradores de Sorocaba, a sede do município. Comunicaram-no imediatamente ao ouvidor de São Paulo, Rafael Piers Pardinho, que cinco dias depois já escrevia ao Conselho Ultramarino…”

Mas os colonizadores não são os primeiros nessas terras, pois os indígenas já estavam por ali faz tempo.  Importante observar que no período da colonização esse território já era habitado por indígenas Tupiguaranis e Kaigang, que se confrontaram com bandeirantes e jesuítas, espanhóis e portugueses. Nesse encontro de diferentes culturas é que surgiram os primeiros povoados associados à tradição católica, e à mineração de ouro, centralizados primeiramente no Arraial Velho e posteriormente na Freguesia Velha.

Arraial Velho

Foi o primeiro povoado da mineração do Paranapanema. Sua localização exata não é conhecida, mas estima-se uma faixa que abrangia esses três municípios (atuais Ribeirão Grande, Capão Bonito e Guapiara) entre as cabeceiras do Rio Paranapanema, Rio das Almas e Rio São José e se encontram o Parque Estadual Intervales e Estação Ecológica Xitué.

Não se sabe ao certo a data precisa em que os primeiros faisqueiros que começaram a minerar a região do Arraial Velho, nem a quantia do ouro que foi retirado da região antes das taxações da coroa, mas as extrações auríferas oficialmente duraram de 1717 a 1746. A medida que a mineração na área do Arraial Velho ia minguando, novas áreas foram abertas acompanhando o curso do Rio das Almas, e um segundo povoado se instalou à margem direita desse rio.

Freguesia Velha

Freguesia era uma designação portuguesa de paróquia; fração territorial em que se dividem as dioceses; sede de uma igreja paroquial, que servia também, para a administração civil.

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O núcleo da Freguesia Velha também foi o núcleo que deu origem à sede do município de Capão Bonito. Nesse local se erigiu uma capela sob a invocação da Nossa Senhora da Conceição, reunindo o povoado em torno da mineração aurífera e da fé católica.

Pelos registros eclesiásticos, segundo descreve o vigário Joaquim M. Alves Carneiro (Carneiro, 1850, f. 8), em 1746 a população já havia se rarefeito tanto que o padre Manoel Luiz Vergueiro, solicitou ao vigário da vara, alterar a localização da capela para a margem direita do Rio das Almas, duas léguas do arraial para o norte, onde já existiam outros estabelecimentos garimpeiros. Dessa forma, a capela foi transferida no mesmo ano para uma a nova localidade que passou a adotar o mesmo nome da capela, “Nossa Senhora Conceição do Paranapanema”.

Bairro do Sumidouro em Ribeirão Grande

Segundo Almeida (Almeida 1959, p. 263), esse segundo povoamento já estava em atividade desde 1735 , porém veio a se tornar uma Freguesia em 1746 com a transferência da capela da Nossa Senhora da Conceição do Arraial Velho para essa nova localidade, que posteriormente recebeu o nome de Freguesia Velha. Localizado no ponto de confluência entre os córregos Lavapés e Ribeirão do Chapéu, à margem direita do Rio das Almas, local conhecido hoje como o bairro do Sumidouro em Ribeirão Grande, onde se encontra atualmente construída as instalações da Companhia de Cimento Ribeirão Grande (CCRG), cujas atividades tiveram início em 1977.

Fábrica de Cimento em Ribeirão Grande
A esquerda o Rio das Almas correndo para o norte. No local onde existiu a Freguesia Velha foi construida uma fábrica de cimento, antiga CCRG, atualmente pertence ao grupo Votorantim.

A sede dessa freguesia foi transferida em 1843 para uma nova área da fazenda Capão Bonito, doada à igreja por Pedro Xavier dos Passos, vulgo Sucury. O vigário da Paróquia, Padre Manoel Álvares Carneiro, edificou no terreno doado uma capela, para onde foi transferida a sede paroquial, em 19 de fevereiro de 1843 e onde foi organizada a vila denominada Nossa Senhora da Conceição do Paranapanema.

Neste mesmo ano, foi elevada a Distrito de Paz com o nome de Capão Bonito do Paranapanema, pela lei de nº 03, de janeiro de 1843 e mais tarde tornando – se município pela lei de nº 17 de 02 de abril de 1857.

No século XIX a população de mineiros do Paranapanema já estava composta basicamente pelos faisqueiros, remanescentes de um período áureo que há tempos já havia passado.

Segundo Almeida (1959) os últimos registros da fundição de ouro vindo das Minas do Paranapanema se deu em 1791.

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Veja também: Capela Nossa Senhora da Conceição do bairro Sumidouro: Saiba mais

 Bairro dos Cruzes

Enquanto isso, o movimento do tropeirismo já vinha há mais de meio século expandindo seus canais de comércio na região do Paranapanema. A medida em que a atividade de mineração ia minguando na Freguesia Velha, outro núcleo de povoado foi se concentrando às margens do Rio Ribeirão Grande, em torno da Casa Grande, atual bairro dos Cruzes, por volta de 1780.

Segundo José Ipólito da Cruz, “Zé Tomás” que registrou relatos de seu amigo Joaquim Eugênio, o bairro dos Cruzes no começo de seu povoamento chamava-se Bairro 3 Marias, porque havia três moças com o nome de Maria que cuidavam de um caminho que por baixo da mata chegava até ao bairro Ribeirão Grande. “Naquela época Ribeirão Grande ainda não era nem distrito de Capão Bonito”, acrescenta Tomás. A primeira igreja do bairro era construída de barro no lugar onde hoje se concentra o antigo cemitério das crianças e era conhecida por Capela da Nossa Senhora de Belém.

O padre João Moderiano – Pároco de Capão Bonito na época – rezava a missa do alto de um barranco pois a igreja do bairro era muito pequena.

Zé Tomás conta que uma vez o padre rezou uma missa em Latim e após terminar a missa exclamou: Esta igreja vai ser mudada! Vai ser ali no alto e vai se chamar Capela de Sant’Ana. Esta subida da nova igreja será a “Subida da Penitência”, pois para demonstrar fé tem que fazer sacrifício.

Ribeirão Grande

Sabe-se que o núcleo de Ribeirão Grande surgiu depois do bairro dos Cruzes e do bairro Barreiro Cabral. Segundo relatos, foi se desenvolvendo em torno de uma capela construída em devoção ao Bom Jesus.

Capela do Bom Jesus, Ribeirão Grande, década de 1940
Centro de Ribeirão Grande, atual Praça Bom Jesus, década de 1940. Fonte: IGC – Sr. José de Almeida Castro. Pesquisa: Junior/Intervales

A partir de 1845, aproveitando o comércio em desenvolvimento em Capão Bonito, os meios de vida da população de Ribeirão Grande passaram a ser a produção e comércio de cereais e algodão, e já nessa época desenvolviam o espírito de cooperativismo. A sede começou a crescer surgindo mais habitações ocupando uma área de cerca de 10 alqueires.

Em 1918, os proprietários confrontantes Pedro Augusto de Lima, Joaquim Amantino Ferreira, José Carmo de Proença e Manoel Silvério Ferreira, em comum acordo, fecharam uma área com terreno menos acidentado, denominada “criador”, que com autorização dos mesmos o povo ia habitando. Em julho de 1922 surge o primeiro morador do criador, Joaquim de Freitas e em 1933 o segundo, Francisco Silvério, que juntamente com os confrontantes do mesmo construíram uma capela e puseram como padroeiro deste patrimônio o Bom Jesus.

Somente em 1936, surgiu a primeira estrada para carros, e as duas primeiras classes escolares, cujas professoras foram Jacyra Landin Stori e D. Iracema.

Em 1938 foi construída a igreja do padroeiro Bom Jesus no local da capela, iniciativa do padre João Moderiano.

Em 1945 surge o cemitério no alto do morro, iniciativa de Paulino Amantino.

Pertencente inicialmente ao município de Capão Bonito, o bairro Ribeirão Grande foi elevado a Distrito em 1964 e emancipado em 1991. Saiba mais

Fontes: Prefeitura Municipal de Capão Bonito, Prefeitura Municipal de Ribeirão Grande, Jornal GR – Gazeta de Ribeirão Grande página 8 por Cirineu Ferreira da Silva, Edição n° 1 de 8 de abril de 2005


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